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Opinião do papai

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Vidas em exposição

Com o advento das redes sociais muitas mudanças de comportamento se agregaram. Sentar em uma mesa para conversar com amigos requer muita habilidade para não ficar a todo momento conectado. Estamos cada vez mais expostos e nos expondo. O que essa excessiva visibilidade pode ocasionar? Essa é uma pergunta de difícil resposta, mas certamente sua resposta gira em torno dos hábitos humanos. Esse cenário vai indicando a fragilidade das relações e dos comportamentos sociais.


No fim de semana uma garota de apenas 13 anos de idade tirou a própria vida e antes que o fizesse colocou a informação em seu perfil no Whatsapp. Homens e mulheres de todas as idades enviam a todo momento imagens de seus corpos e tudo isso vai sendo armazenado. E o vazamento desses dados também acontece em frequência semelhante. Tudo isso reforça que precisamos refletir sobre como estamos lidando com as novas tecnologias e as ferramentas que elas nos possibilitam. Todo mundo quer ter uma selfie, ou aparecer a todo custo.


Não se pode achar que comportamentos extremos como os da garota, ou que vazamentos de imagens privadas são saudáveis. Não tem como naturalizar atitudes dessa ordem. “Podemos pensar que as mídias interativas serão a oração do homem pós-moderno”, relata o sociólogo francês Michel Mafesolli. Ele reforça que o comportamento, principalmente dos jovens, em torno das mídias interativas, é mais intenso e que muitos deles consomem esses produtos quase que religiosamente, executando muito bem a oração.


A observação evidencia que as transformações ocasionadas pelas novas tecnologias não podem ser mensuradas, muito menos como elas afetarão o discernimento e a razão. Existe uma saída para além dessa massiva exposição? O que pode ser feito para que não tenhamos mais histórias como essas estampadas nas manchetes dos jornais? O que pode ser feito não se sabe ao certo, mas algo não deixa dúvida: precisamos cuidar melhor da autoestima e dos sentimentos que possuímos por nós próprios e para com os outros, do contrário estaremos construindo uma sociedade mais doente.


Sem radicalismos, é perceptível que o uso desenfreado e a excessiva exposição dos indivíduos nas redes sociais têm criado comportamentos virtuais que afetam diretamente a vida real. Mesmo figurando em imagens que podem ser sempre felizes, os perfis escondem algo que só vem à tona quando uma notícia negativa se torna destaque. As vidas seguirão em exposição e nesta mescla entre tragédias e felicidade fictícia deveremos encontrar uma forma de nos escandalizarmos menos, do contrário precisaremos de mais tratamento em saúde psicológica.

O desafio é pagar as contas

Não faz exatamente sentido, mas a questão é que é muito complexo pagar boletos bancários. Quem nunca percorreu por vários locais destinados a essa atividade e os encontrou fora do ar, ou que não são aceitos determinados tipos de transações? O fato é que, dependendo do valor a ser pago, é quase uma epopeia realizar o pagamento das próprias contas. Muitos fatores estão por trás dessa dificultosa matemática: segurança bancária, filas elevadas em determinados pontos e os múltiplos serviços oferecidos nos bancos.


Para evitar que alguns clientes realizem transações bancárias mais simples, os bancos preferem não receber. E nessa de não disponibilizar esses serviços específicos, os clientes sofrem para poderem quitar as contas, principalmente aqueles boletos de baixo valor. A argumentação das entidades bancárias é que isso evita filas para os demais clientes que estão realizando atividades que de fato só podem ser solucionadas pelos bancos, na sua versão física.


Diante disso, é preciso buscar as outras opções.


As demais opções são entidades conveniadas ou os caixas eletrônicos. As versões conveniadas atendem a número substancial de pessoas e também possuem limites de valores para pagamentos. Por esse ângulo, além do indivíduo precisar enfrentar uma fila considerável para ser atendido, ele ainda precisará ir a outro local se tiver contas com valores superiores aos estipulados para aqueles locais. Esse é um transtorno evidente se consideramos a rotina e o cotidiano apressados da maioria das pessoas.


Mas ainda nos restam os caixas eletrônicos. Essa é de fato a melhor opção caso você possua dinheiro na conta.

 

Mesmo precisando ocupar as filas – elas são menores certamente - os caixas sem humanos são eficazes nesse processo. Entretanto, ainda possuem as suas demandas específicas: como já dito, o determinado valor na conta, ser cliente da entidade bancária e saber operacionalizar o equipamento. Para muitos, utilizar as máquinas é o mais complexo e essa dificuldade prejudica principalmente os mais velhos.


Diante de tudo isso, é perceptível que os sistemas bancários precisam ser repensados. Essas excessivas restrições fazem com que as pessoas sofram para quitar as suas dívidas. Para realizar os pagamentos, muitas pessoas acabam tendo que separar um dia inteiro, ou pelo menos que ocupem todo o horário dos bancos. Logo, reestruturar e melhorar a distribuição desses pontos de pagamento são a melhor solução para que essas situações de transtorno sejam evitadas. Talvez pensar nas condições de atendimento aos clientes seja um bom começo.

Inesquecíveis

O título da crônica é reverência para dois ilustres e inesquecíveis personagens: Daniel Victor Tavares (piauiense de privilegiada inteligência) e Alfredo Ferreira Neto (piauiense, advogado e emérito desportista).


Assim é que, na época em que vivia, de 1896, na cidade de nascimento, Tinchebray, Orne, França e 1966, Paris França, cidade de sepultamento, André Breton (fundador do movimento surrealista), buscava a simplicidade para motivar sua imaginação e suas criações. Quando do lançamento do primeiro “Manifesto do Surrealismo”,
1924, acostumou-se a centrar realidades em torno da sua coerência: “Viver e deixar de viver são soluções imaginárias. A existência está em outra parte”. Por isso, imaginamos que os dois ilustres personagens estão associados ao surrealista André Breton, principalmente na literatura redescoberta pelo inteligente francês já influenciado à propagação do “Segundo Manifesto do Surrealismo”, 1930.


Compreendamos: “Surrealismo é a moderna escola de literatura e artes iniciada em 1924, caracterizada pelo desprezo das construções refletidas ou dos encadeamentos lógicos e pela ativação sistemática do inconsciente e do irracional, do sonho e dos estados mórbidos, valendo-se frequentemente da psicanálise”.

Portanto, automatismo creditado à individualidade (particularidade ou originalidade que distingue uma pessoa).


Pelo contexto acima explicado, Daniel Victor Tavares, filho de Zózimo Tavares Mendes (Novo Oriente, Ceará, 1962), no ardor de sua juventude e no exercício da representação (“modelo”), procurou o inexplicável para identificar-se com o surrealismo. Morte precoce apressando explicações diversas configuradas ao psicológico
do jovem, um experiente praticante de esportes radicais. O pai, jornalista intemerato, escritor indomável, popularmente conhecido como Zózimo Tavares, equilibrada personalidade e dono duma maturidade necessária para assegurar a perenidade do seu valioso patrimônio cultural, cuidou de entregar o ente querido aos cuidados do Pai Eterno.


No concernente ao diligente Alfredo Ferreira Neto (piauiense), em vida, tornouse advogado, vice-presidente da Federação de Futebol do Piauí, conselheiro do Piauí Esporte Clube, diretor da Empresa Brasileira dos Correios e Telégrafos (no Piauí) ... Interessante é a sua progenitura: o nome: Alfredo é presença na língua árabe. Os ascendentes vieram da Síria, oficializando a desinência “Farid”, identificação do homenageado. Pela barba espessa e longa, fumante e bebericador, sempre foi aconselhado pelos familiares a respeito do seu quadro clínico. A morte preocupante perseguiu o amigo Alfredo pelo interior do Ceará. Na viagem de lazer para descanso do guerreiro, um mal-estar provocou agravamento e, antes do atendimento médico, o óbito. Pelo surrealismo, chamamento indicando Ovídio (Publius Ovidius Naso: Silmona, Itália, 43 A. C.- Constância, Romênia, 17 D. C.: “Eu, que brinquei entre amores delicados, fui assassinado por meu próprio talento”. Evidentemente, Alfredo Ferreira Neto teve presença influente e arrojada no meio jurídico e no ambiente social
com nuanças desportivas, afastado dos holofotes, fora do luzeiro de elogios.


Homenagens futuras não faltarão a favor dos dois inesquecíveis personagens. A crônica d´hoje é a porta aberta para que entendamos melhor o surrealismo de André Breton e as evidências palpáveis no mundo contemporâneo.